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JOÃO FARINHA & FADO AO CENTRO

Date: 2018-05-15 02:00

Enquanto na área do fado de Lisboa propriamente dito se sucedem a um ritmo quase vertiginoso os lançamentos ,no campo específico da canção de Coimbra são esporádicas as edições pelo que qualquer novo disco que surja ou aparece interpretado por algum dos poucos nomes sonantes e consagrados ainda vivos ( aqueles a quem muitos chamam dinossauros, no bom sentido entenda-se!) ou passa despercebido ou então mesmo é pouco menos que injustamente ignorado pelos media o que significa muitas vezes que pouca gente dá pelo disco ou sequer sabe da sua existência! Vem este desabafo a propósito do lançamento de “Sim” na voz de um estreante nas gravações a solo - João Farinha que nele e ao longo de 14 composições com elas percorre aquilo que ele próprio entende como sendo um novo rumo para o fado coimbrão percurso que vem ensaiando e percorre há alguns anos e que tem a ver com uma nova sonoridade ,diferentes instrumentos e acima de tudo uma nova abordagem à canção/balada da sempre bela cidade do antigo basófias - o rio Mondego. Dono de uma voz singular e tendo como fio condutor em termos poéticos o amor , a eterna saudade e as mágoas, atributos desde sempre tão comuns à canção coimbrã o jovem fadista revela-se um interprete seguro ,que procura com afinco, serenidade e um certo talento a maioridade vocal e que apesar de estreante na canção revela predicados de quem tem já algum traquejo no cantar ;um elenco de luxo constituído entre outros por Florbela Espanca , David Mourão Ferreira , Eugénio de Andrade , José Carlos Ary dos Santos ,Mário Cesariny , Antero de Quental e Fernando Pessoa são alguns dos grandes poetas escolhidos para abrilhantarem poeticamente o projecto através de uma série de belíssimas obras criteriosamente escolhidas entre a imensidão de hipóteses que cada um dos poetas podia proporcionar e que acabam por servir de trampolim e montra auditiva para revelar João Farinha & Fado ao Centro como uma das mais radiosas esperanças da eterna canção de Coimbra de que os estudantes e suas capas negras são o ex-libris , afinal de contas uma música que ao longo dos tempos tem conseguido dar outra expressão , quiçá mais universalista até ,a palavras como sentimento ,saudade ,amor , mágoa e resistência . CD Fado ao Centro records

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SAZ´ISO

Date: 2018-05-15 01:20

Desde há vários alguns anos que as músicas rurais especialmente as oriundas dos sítios mais recônditos do Planeta tem surgido à luz do dia, muito em parte devido à acção de divulgação de inúmeros pesquisadores que por profissão ou por paixão lhe tem proporcionado através de concertos ou gravações uma mais que merecida montra pública ,visibilidade essa que muitos dos músicos e cantores dessa área julgaram nunca ser possível de conseguir; essa mesma divulgação tem ocasionado o contacto com algumas autênticas preciosidades sonoras e vocais facto que assim tem simultaneamente permitido aumentar substancialmente os catálogos e o numero de artistas no campo das musicas do Mundo , sendo mais notório esse incremento em termos europeus especialmente com origem na Europa de Leste... Entre as mais diversas surpresas devemos destacar os Saz´iso ,já considerados pela critica especializada mundial como um dos mais surpreendentes grupos ,que no entanto são porém muito mais que uma surpresa ou uma revelação, pois com um único disco gravado se afirmam já como um grupo de uma polivalência vocal acima da média que desenvolve incríveis polifonias e através delas seduz e arrebata as audiências com uma incrível facilidade e um enorme talento. Esse seu primeiro disco co-produzido por Joe Boyd que regista no seu valioso curriculum colaborações com gente como os Pink Floyd , REM , Nick Drake ou Taj Mahal , entre outros ,explica não só a grande qualidade do trabalho de Boyd ,mas também porque é que os seus serviços são amiudadas vezes requisitados por outros grandes nomes da música contemporânea de diferentes áreas e estilos ; no projecto “At least wave your handkerchief at me” o referido primeiro disco dos Saz´iso o produtor conseguiu trazer à tona da água uma série de canções que constituem um verdadeiro e valioso tesouro musical onde ao longo de 15 diferentes composições desenvolvem um profundo trabalho poético e musical falando de amores e desamores , memorias e lamentos, perdas e conquistas ,tragédias e corações partidos e acima de tudo mostrando um pouco da riqueza musical e tradições existentes no sul da Albânia que cada vez mais se reafirma como um verdadeiro alfobre de polifonias folk a que agora e cada vez mais há que dar o devido valor ;um projecto surpreendente , com uma inquestionável qualidade que revela para alem de várias vozes soberbas uma mão cheia de instrumentistas de invulgar talento e virtuosismo... CD Glitter beat/Megamúsica

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BRAD MELDHAU

Date: 2018-05-15 01:10

O impensável acontece muitas vezes quando menos se espera; quem diria que o renomado pianista de jazz Brad Meldhau apareceria um dia ligado a um projecto de musica erudita, mais concretamente ao difícil reportório de J.S. Bach ? Mas a verdade é que isso aconteceu e para prová-lo aí está o projecto “After Bach” talvez o mais complexo e estranho projecto da sua carreira onde o instrumentista dá provas de uma vitalidade e intensidade notáveis ao longo de 12 composições sendo cinco delas da autoria de Johann Sebastian Bach e as restantes sete idealizadas pelo instrumentista norte-americano que se inspirou na música do próprio Bach para as criar e desenvolver e convenhamos que não é para qualquer um o risco de interpretar fugas e prelúdios de “O cravo bem temperado” ; é preciso na realidade ser-se um extraordinário pianista para alguém fora da área erudita arriscar interpretar este tipo de reportório. O resultado final é porém deslumbrante com Meldhau no apogeu de sua criatividade e talento numa autentica aventura labiríntica pela obra de Bah onde simplicidade e virtuosismo andam de mãos dadas para extasiar qualquer um mesmo que seja um purista de Bach!!! CD Nonesuch /Warner Music

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JOYCE DiDONATO

Date: 2018-05-15 01:00

Unanimemente consagrada como uma das melhores mezzo-sopranos mundiais Joyce DiDonato está de regresso com o registo de um notável concerto no Liceo de Barcelona em 4 de Junho do ano passado e que foi dividido em duas fases distintas – Guerra e Paz ; nele Joyce ,interpretando como só ela sabe composições de tão diversos e distintos compositores como são Haendel , Purcell , Gesualdo , Monteverdi ,Jommelli ou R. Strauss entre outros ,brilha a grande altura e deslumbra... O projecto tem muito a ver com a ideia da soprano de pretender fazer algo que conjugasse os dois temas especialmente depois dos infelizmente célebres atentados de Paris e daí a ideia da gravação se ter transformado depois numa obra teatral ; o projecto marca o regresso da cantora ao reportório barroco e apesar de certa critica se ter preocupado mais em assinalar certas diferenças estéticas e de reportório entre o disco e o posterior DVD , que considera de qualidade superior ,a verdade é que o sucesso geral do projecto é por demais evidente como o provou a recente apresentação na Gulbenkian em que se mostrou quase a totalidade do conteúdo do DVD ( sem os belíssimos extras que este inclui claro)e onde obteve um assinalável êxito. Obra conceptual de grande envergadura musical e instrumental com Donato no auge da sua forma demonstrando toda a plasticidade da sua fabulosa voz “In war&peace” é uma verdadeira obra de arte ,rigorosa , inspirada e acima de tudo vocalmente soberba!!! DVD Erato/Warner classics/ Warner Music

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TAMIKREST

Date: 2018-05-15 00:00

A geração musical tuareg está de volta às gravações com um disco verdadeiramente notável, uma obra que constitui uma autentica rebelião sonora que um naipe de instrumentistas valoriza sobremaneira mercê de uma execução perfeita e uma capacidade inventiva assinalável atributos que afinal de contas sempre continuam a ser os cartões de visita perfeitos dos grupos e artistas a solo que integram uma área musical a que há tempos atrás se convencionou chamar desert blues... Segundo os intervenientes deste projecto o disco pretende sob a forma de musica evocar e especialmente denunciar todos os sofrimentos , atrocidades e manipulações de que foram vitimas as populações do deserto ao longo dos tempos de ocupação especialmente as de uma região chamada Kidal por parte essencialmente do exército francês que a subjugou durante os anos de 1916 e 1917 ; um verdadeiro projecto de resistência que é simultaneamente um alerta e uma denuncia ao jugo que amiudadas vezes é imposto aos povos menos poderosos ,e muitas vezes pouco menos que indefesos ,por opressores e dominadores com maior poder belicista e que assim impõem pela força das armas a lei do quero, posso ,mando e...domino! Veja-se por exemplo o que se passa há anos no Tibete e entenda-se melhor o que na realidade é em profundidade o...colonialismo bélico! De uma riqueza melódica que cativa e encanta ,com onze composições que certamente vão agradar aos mais exigentes e cuja franja vai estender-se desde os fans dos alemães Can e dos Ashra Temple até aos mais dedicados admiradores dos Pink Floyd , “Kidal” é uma obra cheia de magia e beleza onde impera um certo experimentalismo rítmico só ao alcance de músicos de grande craveira como é o caso do presente septeto que assim mantém viva a chama do rock do deserto! CD Glitter beat /Megamúsica

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