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Escolhas de João Afonso Almeida

CANTE ALENTEJANO-vol.2

Date: 2017-07-24 21:35

Bastou que a UNESCO outorgasse em 27 de Novembro de 2014 ao cante alentejano o estatuto de Património Imaterial da Humanidade para essa verdadeira riqueza cultural e musical deste pais à beira-mar plantado desse um salto em frente isto é, deixasse de ser um produto meramente de consumo nacional e regional para ser uma espécie de curiosidade para alguns turistas e uma coisa importante para outros estrangeiros mais atentos e que até ali certamente pouco ou nada conheciam do cantar alentejano e do próprio Alentejo; mas a realidade porém é que a partir da concessão do estatuto o cante passou a ser uma evidente mais valia musical de Portugal aos olhos do Mundo... Depois do lançamento de um primeiro volume em que participaram “Os mineiros de Aljustrel” e o grupo etnográfico e coral “Os camponeses de Pias”, Nuno Rodrigues, o “boss” da Companhia Nacional de Música preparou cuidadosamente um segundo volume – “Cante alentejano vol.2” que acaba de ser agora editado e contem onze canções cuja notável interpretação vocal esteve desta vez a cargo do excelente Grupo Coral dos Vindimadores da Vidigueira. Para os mais distraídos, ou para quem eventualmente ignore o fenómeno musical, o cante é um canto de origem coral em que alternam um cantador a solo com um coro, havendo um alto a preencher as pausas e rematando as estrofes... Com o crescente sucesso que os cantares alentejanos têm granjeado intra e além- fronteiras este segundo volume , a exemplo do primeiro, com uma belíssima apresentação (tray em cortiça e slipecase recortado)vai certamente transformar-se em mais um objecto de interesse e procura não só porque está colocado à venda a um preço absolutamente de combate, acessível portanto às mais diversas bolsas quer nacionais, quer estrangeiras, mas também pelo seu factor cultural pois representa acima de tudo a voz de um povo... CD CNM

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NÉ LADEIRAS

Date: 2017-07-03 19:05

Há uma frase no imaginário popular que diz que “quem não aparece, esquece!” e essa é uma grande verdade na maioria das vezes; porém, no caso concreto da primeira voz feminina da Brigada Victor Jara e celebrada interprete do inesquecível êxito “Sonho azul”, tal não corresponde à verdade, porque há muito que os seus admiradores suspiravam pelo seu regresso ou até somente por simples noticias suas, ela que autenticamente “desaparecida em combate” há mais de 15 anos se eclipsara totalmente não só do panorama da música em geral como também das secções de notícias... Não sei porquê, mas algo me diz que andou, qual mensageira da saudade, descalça e segura, durante uns tempos, algures num trilho de luz, rodeada por uma alcateia de lobos ou até mesmo a liderá-la, acompanhando gente como Frida Khalo, Avita, Madre Teresa de Calcutá ou Greta Garbo, a sangrar a dor sobre as areias, vivendo outras vidas sob a égide do deus da Natureza dos bichos, das pedras, das flores e dos pássaros, cumprindo um destino errante e profético onde calou trovões, engoliu nascentes de rios, marés e ondas revoltas e apagou iras de vulcões com um simples gesto ou sopro... Agora, repentinamente, como num verdadeiro passe de mágica, qual imaginária cerimónia de fadas e duendes numa noite de lua cheia, em plena floresta de sonhos, magia e encantos com grandes fogueiras, caldeirões, feitiços, poções mágicas, dançarinos e instrumentos de sopro, de cordas e de percussão à mistura, ela resolveu renascer das cinzas, vinda sabe-se lá de onde, de que distantes galáxias ou de que profundezas sem fim e brindar-nos com um novo projecto de originais – “Outras vidas”, que é um verdadeiro manancial de sons e voz e que mais que marcar o regresso da grande feiticeira das músicas representa uma verdadeira cerimonia orgásmica de prazeres auditivos, sonoros e rítmicos; um disco que por ser uma verdadeira festa, merece por isso mesmo a obrigatória presença de bombos, foguetes, gigantones e cabeçudos a par de iguarias sem fim dispostas sobre brancas toalhas de linho pois o momento é de festança, de entusiasmo e de comemoração que obrigatoriamente terá que terminar com um arsenal de fogo-de-artifício lançado aos céus para deleite visual da assistência! Com efeito, Né surge assim de supetão, em plena forma, vinda das brumas da memoria, envolta em lenços coloridos e fumos multicores, na posse de todas as suas faculdades vocais, que fizeram dela um caso à parte nos meandros da música de raiz popular e tradicional portuguesa e a catapultaram para um lugar à parte no imaginário de milhares de admiradores fieis e incondicionais nos quais eu me incluo! Orgulhosamente... O novo disco, criado e imaginado a partir da figura romana de Avita, é por outro lado, um verdadeiro turbilhão musical na arte de bem tocar uma infinidade de instrumentos populares como o adufe, cavaquinho, concertina, flauta de bisel, guitarras, braguesa e viola toeira entre outros, de cuja responsabilidade , em sumptuosos desempenhos, é do grande Amadeu Magalhães que, como se isso não bastasse, ainda assina os fautosos arranjos , a grande produção, gravação e misturas das composições do disco que ao longo de oito inspirados temas (assinados pela dupla Tiago Torres da Silva/ Né Ladeiras que aqui se revela uma compositora de mão cheia!!!) nos faz sonhar e navegar ao som de ritmos árabes, celtas, arménios, sefarditas, bascos e até de rancheras mexicanas, levando-nos em verdadeiro voo rasante para horizontes sonoros que nos fazem lembrar os universos musicais de prodígios como Carlos Nuñez, Rabih Abou-Khalil, Chieftains, Oum Kalthoum ou o basco Kepa Junkera que certamente não desdenharia assinar a composição que em beleza e apoteose fecha o novo trabalho - “Um amor feliz“ . Um projecto vocalmente brilhante, intemporal, emocionalmente intenso, sonora e instrumentalmente versátil, que destila magia por todos os poros e se assume como um dos mais belos momentos das “músicas do Mundo” editados nos últimos anos. Uma obra-prima? Claro que sim!!! CD Artez- Medicina e Arte/Né Ladeiras

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FADO DO ELÉCTRICO

Date: 2017-07-03 16:15

Nada menos de 40 fados constituí a suculenta ementa do projecto “Fado do eléctrico” constituído por dois discos e onde vamos poder encontrar algumas das mais belas peças da chamada canção nacional interpretadas por gente que faz parte do imaginário fadista português tais como Amália Rodrigues, Argentina Santos, Maria da Fé, Maria Armanda, Fernando Maurício, Maria Teresa de Noronha, Alfredo Marceneiro ou Carlos Ramos e valores mais recentes mas de confirmado valor como são sem dúvida Ricardo Ribeiro, Jorge Fernando, Ana Moura, Gonçalo Salgueiro, Joana Amendoeira ou Patrícia Rodrigues, entre outros. Uma verdadeira antologia da canção portuguesa por excelência que há tempos atrás foi pela UNESCO considerada Património Imaterial da Humanidade! 2CDs/livro CNM

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LINGUA FRANCA

Date: 2017-07-03 16:10

A língua portuguesa com e sem sotaque tratada com desvelo e paixão nos caldeirões do rap e do hip-pop por quatro diferentes sensibilidades musicais- duas brasileiras e outras duas portuguesas que no fim conseguem na perfeição fazer uma espécie de ponte cultural e melódica entre os dois países que afinal estão, e sempre estiveram ao longo dos anos, tão longe e tão perto simultaneamente... Capicua e Valete são a metade nacional dos Língua Franca, quarteto que se completa com Emicida e Rael, dois originários do país verde-amarelo e desta associação saiu um disco poderoso, com uma força rítmica quase telúrica, fortemente cadenciado , onde a rima e a palavra são denominador comum e que se constituiu como uma das mais emergentes, coesas , notáveis e futuristas formações musicais surgidas nos últimos tempos... Experiências acumuladas, realidades e desigualdades sociais denunciadas e acima de tudo um grande amor comum pela música são os condimentos de “Língua franca” álbum de estreia dum quarteto que usa a língua portuguesa a seu bel-prazer e onde ela, mais que um cordão umbilical que une os quatro, representa uma paixão e uma maneira de darem os seus recados. Felizmente ! CD Sony Music

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ALBERT COLLINS

Date: 2017-07-03 16:10

Foi uma memorável prestação de palco a proporcionada pelo grande mestre dos blues Albert Collins (1932-1993) numa prestigiada sala alemã em 1 de Dezembro de 1980, um show que pôs em delírio e êxtase a assistência que esgotou o recinto. Famoso pela energia que sempre colocou em palco e que foi a sua característica principal nos concertos ao vivo o músico texano geralmente apelidado de “ice man” ou “mestre da Telecaster” foi um dos mais celebrados e prestigiados guitarristas de blues e uma das mais proeminentes figuras do panorama americano da grande música negra. O concerto atrás citado deu origem a um duplo disco “At Onkel Pos Carnegie Hall” , disco esse que integra a totalidade do show de Hamburgo incluindo a longa entrada instrumental em palco de perto de 20 minutos dos Icebreakers, a sua banda de acompanhamento; as enérgicas e emblemáticas prestações ao vivo de Collins projectaram-no em pouco tempo para os píncaros não admirando portanto que ele tenha sido a principal influência de várias gerações com especial destaque para dois grande nomes dos blues – Robert Cray e Stevie Ray Vaughan, este infelizmente também já desaparecido do nosso convívio. Álbum absolutamente demolidor, nos aspectos rítmico e sonoro, revelando uma atmosfera excepcional e eufórica por parte da assistência é um dos melhores trabalhos do famoso bluesman e por isso mesmo merece atenção e audição demoradas, tanto mais que discos destes não há por aí aos pontapés... 2CDs Distrijazz

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